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Matera: dicas para conhecer a cidade da Basilicata que faz fronteira com a Puglia

Texto e fotografias M. Cristina Recchia

 

 

Neste texto vou compartilhar algumas dicas para um passeio de bate-volta  em Matera, cidade da região da Basilicata, no sul da Itália.

Provavelmente você deve estar se perguntando: mas porquê um blog que descreve a Puglia estaria falando sobre uma cidade da Basilicata (região do sul da Itália)? Sim, Matera está localizada na Basilicata mas o que muitos não sabem é que ela encontra-se na fronteira entre a Basilicata e a Puglia e o modo mais rápido para se chegar até lá é por Bari.

Escolhemos um domingo no início do mês de maio para visitá-la pois, com a chegada da primavera, a temperatura fica bem agradável para um passeio.

Pensando em escrever um texto sobre a cidade, passei dias estudando a história e uma estratégia para conhecer a cidade com autonomia. Acabei  optando  somente por um simples passeio e resolvi excluir visitas em museos porque precisariamos de muito mais tempo para isso.

Saímos de Polignano a Mare por volta das 10h30 da manhã e a estrada que nos levou até lá era relativamente boa mas em alguns pontos confesso que o asfalto não era lá grande coisa.

 



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Levamos quase 1h30 para chegar ao nosso tão esperado destino e como eu já havia  esquematizado tudo, achei que seria tudo muito fácil mas me enganei.

Ao meio dia a cidade já estava completamente lotada e encontrar uma vaga para estacionar o carro foi uma missão quase impossível porém, vou contar um segredo: nas proximidades do Castelo as chances de encontrar vagas para estacionar é muito maior, caso os estacionamentos já estiverem lotados .

Perdemos  muito tempo tentando encontrar uma vaga. Muita atenção porque em algumas áreas é permitido estacionar  somente por 30/60 minutos. Lugares com a faixa branca no chão são indicados para se estacionar e se não houver  nenhuma faixa, fique atento pois haverá uma placa indicando o tempo de permanência permitido.

Enfim, nosso roteiro sofreu a primeira mudança por não conseguirmos vaga no estacionamento conforme havíamos planejado e então começamos a explorar a cidade de um outro ponto.

Começamos pela Piazza Vittorio Veneto, um dos principais pontos do centro histórico de Matera.

Pela segunda vez, me dei conta que meu roteiro poderia ter sido em vão porque a quantidade de pessoas que circulavam era realmente muito grande e isso, no começo, me fez perder o senso de direção, então achamos melhor iniciar pela melhor parte: o almoço!

Eu queria começar meu roteiro visitando um dos “bairros históricos” de Matera: “Sasso Caveoso” (no sul da cidade)  Por isso escolhi uma Trattoria naquele lugar. Eu já tinha recebido boas indicações de muitos restaurantes e fiz a reserva antecipada na “Trattoria del Caveoso” e seguindo pela estrada que nos levava até ele encontramos o que eu havia planejado ser nosso ponto de partida: “Belvedere Piazzetta Pascoli” e lá era impossível não fazer uma parada e admirar tudo o que estava a nossa frente:

 

 

Do alto era tudo monocromático e a sensação era de abandono mas olhando bem… roupas estendidas aqui, vasos com flores e plantas ali, janelas abertas acolá. Eu só conseguia  ver as estradas que estavam mais próximas e outras mais distantes porque do resto parecia um labirinto sem fim.

Chegamos pontualmente na “Trattoria del Caveoso”. Um lugar muito pitoresco  com ótimo atendimento, preço, comida e vinho. Pedimos um antepasto com queijos e laticínios e meu marido não resistiu a um “carpaccio com lascas de alcachofras”. As crianças comeram “orecchiette ao sugo”, eu optei por algo típico: orecchiette alla Materana com funghi e salsicha (linguiça) e meu marido um belo prato de carne mista assada na brasa, tudo acompanhado rigorosamente pelo famoso “pane di Matera” (pão de Matera) e pelo vinho da casa.

 

 

Sinceramente, teria sido melhor se tivéssemos optado por um lanche porque, embora o atendimento fosse muito rápido, percebemos que estávamos perdendo tempo alí com tanta coisa para ver.

A Trattoria ficava já na parte de baixo da cidade e quando terminamos o almoço decidimos dar continuidade ao meu roteiro e nosso próximo destino era chegar o mais perto possível  da chamada Gravina. Vocês vão entender o porquê.

Enquanto caminhavámos o cenário era de muitos restaurantes e lojinhas variadas entre as rochas.

 

 

Muitas ruazinhas estreitas e escadarias  nos convidavam para adentrarmos  mas eu não queria perder o foco, mesmo porque eu tinha receio de me perder pelas ruelas e atrapalhar o tempo que nos restava. Mas seguindo indicações entramos em uma delas e acabamos saindo em frente à “Chiesa Rupestre di Santa Maria D’Idris” uma igreja antiguíssima escavada  dentro de uma rocha.

 

 

Voltamos para dar continuidade a estrada que eu havia marcado no meu roteiro e …

 

 

chegamos na Casa Grotta nei Sassi que se localizava abaixo da “Chiesa Rupestre Santa Maria D’Idris”. Uma das tantas casas-grutas que eram utilizadas como moradia de muitos habitantes até o início dos anos 50. Uma coisa interessante de se ver é que,  até um tempo não muito distante as pessoas daquela cidade viviam daquele jeito: familia e animais juntos.

 

 

 

Para visitar a Casa Grotta eu paguei um ingresso de € 3,00 e pude visitar a casa, a igreja “rupestre Sant’Agostino” e pude assistir a um vídeo em italiano que apresentava, através de  depoimentos de habitantes, a descoberta de uma enorme cisterna escavada naquele local.

 

Em  frente à Casa Grotta uma paisagem  espetacular:  a Gravina e logo abaixo o córrego Gravina e a ponte Tibetano della Gravina. No alto, do outro  lado da falésia, muitas casas-grutas que servem ainda como material para fonte de estudos.

 

 

 

Descendo mais adiante,  passamos por um grande arco e chegamos até a “Chiesa San Pietro Caveoso” que é uma das principais Paróquias da cidade construída no início do século XIII e finalizada no início do século XIV. Lá , fui invadida por uma sensação de paz e ao mesmo tempo  surpresa por ser um lugar muito  fascinante.

 

 

Acabamos saindo na frente a um outro bairro que é o centro:  “Cività” e onde encontra-se a Catedral!

 

 

Na frente da Igreja di San Pietro Caveoso tem uma enorme praça onde passam mini ônibus, também chamados de “pulmino” que levam turistas até a Catedral e… como me arrependi de não ter pego o mini ônibus!

Talvez, meu  erro  foi  o de não  ter seguido pela estrada que saia em frente à Igreja porque me levaria até a Catedral… onde está exatamente aquela torre, no alto da foto.

Não nego! Me assustei e logo imaginei que teriamos que subir todas aquelas escadarias,  mas antes de tomar a decisão decidimos visitar a “Chiesa Rupestre Santa Maria D’Idris” que estava ali, bem ao nosso lado.

A igreja é  de uma gruta e para visitá-la é necessário comprar  ingresso. É proibido tirar fotos no recinto. Há muitos seguranças no entorno. Internamente é possível apreciar o resto de alguns afrescos e externamente se tem a vista do Sasso Caveoso, Sasso Barisano  e da Gravina.

 

 

 

 

A partir daí resolvemos voltar até a praça central “Piazza Vittorio Veneto” e passamos pela área de comércio do centro histórico do Sasso Caveoso: lojinhas, museus, igrejas,  restaurantes e bares. Um vai e vem de turistas do mundo todo. Mas um detalhe importante é que passamos pela “Chiesa e Convento di San Franceso d’Assisi” (foto a seguir).

 

 

A “Piazza Vittorio Veneto” é um ponto importante entre os “Sassi di Matera” por ser bem centralizada. A partir desse local é possível seguir para várias direções e o mais importante é que nesse ponto encontra-se o “Palombaro Lungo”: uma enorme cisterna escavada no século XVI que tinha capacidade de armazenar 5 milhões de litros d’água de chuva. A cisterna pode ser visitada mas atenção: para visitá-la é necessário  comprar os ingressos com antecedência. Infelizmente não pudemos visitá-la porque os ingressos estavam todos esgotados.  A  visita dura 25 minutos com a presença do guia que dá explicações sobre a importância dos antigos em preservar e cuidar da água de chuva que abastecia a cidade,  além de explicações breves sobre a origem de Matera. O ingresso custa € 3,00.    Na área de entrada para a cisterna, é possível observar  alguns restos de pinturas  em meio aos arcos que nos dão a sensação de voltar no tempo.

 

Passada a minha decepção por não conseguir visitar a cisterna, seguimos em direção a parte Norte da cidade  que nos levaria ao “Sasso Barisano”. Passamos pela “Chiesa di San Giovanni Battista” que me trouxe novamente uma paz inexplicável.

 

Seguimos adiante até chegar na parte detrás  da “Chiesa San Pietro Barisano” e ter essa esplêndida vista.

 

 

O final da tarde se aproximava e as crianças, sinceramente, já estavam exaustas de caminhar. Prometi que nosso último destino antes de voltarmos para Polignano a Mare seria a “Cattedrale Maria Santissima della Bruna e Sant’Eustachio” que, nada mais é do que a Catedral com aquela torre que podemos apreciar em quase todas as fotos.

E assim, voltamos para a Piazza Vittorio Veneto e de lá seguimos as indicações até a Catedral.  Durante o caminho, eu prestava atenção nas casas, nos edifícios e quase tudo dava a idéia de abandono mas, na verdade, é apenas uma forma de cultivar e retratar a história de Matera.

 

 

Eu tinha vontade de passar por baixo dos arcos e seguir por aquelas estradinhas com suas escadas que davam a impressão de terem sidos construídas umas sobre as outras.

Durante todo nosso trajeto passamos por vários terraços panorâmicos quase sempre com a mesma paisagem dos “Sassi” mas com ângulos diferentes,  e  minha conclusão é que a arquitetura da cidade e de como ela foi construída em tempos antigos teria uma explicação que somente um guia turístico poderia me dar naquele momento.

Enfim passamos pelo arco da Via Duomo e chegamos na Catedral que era majestosamente única, no seu espaço, na paisagem,  seu redor e no seu interior com afrescos espalhados por todos os lados e uma incalculável riqueza de detalhes.

 

 

 

Ao voltarmos para o castelo, próximo onde havíamos estacionado o carro,  aproveitamos para apreciar mais um momento de beleza nos arredores daquele lugar.

 

 

Breve histórico de Matera

Fonte:i sassi di matera

Matera é uma das cidades mais antigas do mundo: desde o período Paleolítico até os dias atuais. Uma cidade vencedora que desafiou o tempo e as críticas por ter sido considerada a “vergonha da Itália”.

Sua história conturbada  a colocou no grau de cidade extremamente pobre onde a  mortalidade infantil estava entre as mais altas da Itália.

A cidade tem um aspecto muito curioso porque  está situada em três profundos vales rochosos. Casas e igrejas construidas entre rochas dão a esta cidade uma característica peculiar.

A antiga Matera também conhecida como “cittá dei Sassi” (cidade das pedras)  é dividida entre dois bairros: Sasso Barisano (na parte Norte) e Sasso Caveoso (na parte Sul), e entre eles encontra-se o bairro Cività (centro). A vida da população que habitava  nestes bairros consistia em lutar pela sobrevivência juntamente  com os animais que  conviviam dentro das suas próprias casas-cavernas de dimensões muito pequenas.  Os animais emanavam calor e ajudavam a superar o intenso frio provocado pelo inverno.

Os primeiros assentamentos pré-históricos  e os antigos bairros de “Sassi” têm vista para o córrego Gravina, um pequeno riacho que se origina na Puglia. Este pequeno riacho, ao longo dos milênios, criou entorno  uma espécie de cânion natural.

A Itália descobriu  Matera no final da Segunda Guerra Mundial quando  o escritor Carlo Levi publicou o livro “Cristo parou em Eboli” (Eboli é uma cidade localizada na província de Salerno, em Campania). O livro era uma denúncia das condições de vida desumanas e de injustiças sociais de uma Itália que era indiferente a realidade que a população de Matera vivia.

Em julho de 1950, o primeiro-ministro Alcide De Gasperi visitou Matera e em 1952 assinou a Lei Especial para o deslocamento da população que vivia nos “Sassi”. Várias décadas de negligência e degradação se seguiram, o povo de Matera quase quis deixar para trás um passado de vergonha, de mortes por doenças, de fome e miséria.

Hoje sua população é de aproximadamente 60.500 habitantes (2018)  sendo a segunda maior cidade da Basilicata e a capital da província da região da Basilicata. Está localizada a 400 metros acima do nível do mar . É um vasto planalto cársico cujo  elemento predominante é a rocha. A rocha típica deste território é o tufo e sua maleabilidade  permitiu durante milênios que os habitantes pudessem escavar e modelar a construção de casas e igrejas. A cidade então foi adaptada às diferentes necessidades do homem, para se tornar parte de um interessante e inteligente complexo sistema de conservação de água de chuva.

Em 1993, Sassi de Matera foi reconhecida como Património Mundial pela UNESCO, o primeiro local no sul da Itália a obter este reconhecimento. O primeiro estágio de um longo e tortuoso processo de recuperação, reabilitação e valorização, no qual os antigos bairros em tufo voltaram a ser protagonistas da vida na cidade e foram doados ao mundo como um exemplo de sobrevivência em condições extremas de vida.

Matera se apresenta para o mundo como o carro-chefe do sul da Itália e, para  toda a nação, um exemplo concreto de redenção social. A cidade é culturalmente rica  graças aos inúmeros museus, às exposições na Sassi, aos inúmeros testemunhos históricos das aldeias e, às igrejas de pedra que  ajudaram a entender melhor a evolução humana. Os muitos visitantes de todo o mundo podem reviver a experiência única de permanecer nas cavernas, nos mesmos lugares onde uma vez homens e animais viviam e que  hoje são quartos de hotéis e pousadas equipados com certo conforto.

A cozinha local é genuína e requintada, baseada nos produtos típicos que a terra oferece. Entre as muitas iguarias da gastronomia de Matera, é impossível não provar o magnífico e único pão de Matera, reconhecido pelo  I.G.P. (Indicação Geográfica Protegida). Matera é também chamada de “Jerusalém do Ocidente”, por isso foi escolhida como local adequado para grandes  produções cinematográficas  como a “Paixão de Cristo” de Mel Gibson, Ben Hur e outros.

Em 17 de outubro de 2014, Matera recebeu outro reconhecimento muito importante. A cidade foi projetada para ser a Capital Européia da Cultura em 2019. Uma conquista histórica que representa a consagração de uma cidade dedicada à cultura e ao turismo.  O resgate definitivo de gerações em gerações da chamada  “vergonha nacional” tornou-se  orgulho de um povo que preserva suas origens.

Minhas dicas:

Matera é realmente surpreendente e interessante!

Chegue cedo e se puder, faça a visita com o guia turístico em português (ou em italiano, inglês e espanhol)  que tem a duração mínima de 2 horas. Solicite um orçamento escrevendo para info@vemprapuglia.com

O roteiro descrito acima é somente para um passeio. Para quem quiser se aprofundar na história e visitar museos eu recomendo , pelo menos, 2 dias em Matera.

A noite a cidade parece ainda mais bonita por isso durma na cidade e aprecie toda a atmosfera! Ajude-nos  fazendo a reserva da sua hospedagem com o booking.com pelo blog Vem pra Puglia.   Assim você estará colaborando para a manutenção do blog Vem pra Puglia e nós agradecemos!

 

Uma boa alternativa para quem quiser fazer passeios rápidos é o tour em tuk tuk, apesar de ter um custo considerável.

Nós temos  contato com agências que fazem traslados. Motoristas especializados poderão levar você e sua família ou grupo de amigos onde quiser.

A seguir o mapa com indicações de visitas a pagamento

 

  • Museo Archeologico Nazionale Domenico….
  • Museo Nazionale d’Arte Medievale
  • MUSMA – Museo della Scultura Contemporanea
  • Noha
  • Cateralle
  • Complesso Rupestre San Giorgio
  • Palombaro lungo

 

Como chegar até Matera com o trem:

Visite o site da ferrovia que faz Puglia e Basilicata para saber horários e preços: https://ferrovieappulolucane.it/



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